Quando o pirateado é você


Foto por @fagnerfey

E eis que a pirataria chega ao Mundo de Salácia. Minhas queridas Princesas do Mar já estão sendo vistas em camelôs Brasil afora, sob a forma de produtos de qualidade duvidosa.

Mas não são todos, visse? Alguns produtinhos até são simpáticos, como peças artesanais que eu nem considero pirataria. Já outros têm escala industrial, e até peça de teatro rolou no Rio de Janeiro. E num típico clichê de como a vida imita a arte, vieram risadinhas de todos os cantos dizendo: “Ah, tu baixou LOST, agora toma!“.

Pra começo de conversa, como diz a minha sábia avó: “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa!“. Baixar um seriado da internet (cujas razões já elucidei aqui) e produzir bonequinhos na China e mandar pra cá por container são coisas bem  diferentes.

Mas, se quer mesmo saber, eu pouco me importo com qualquer uma das duas.

Não, eu não acho pirataria uma coisa ruim, não estou muito preocupado se estão me copiando na Alemanha ou na 25 de março.

Dizem que a pirataria tira empregos. Deve tirar, mesmo. Mas pra mim, o que é muito mais perigoso que a pirataria e que realmente tira empregos é gente morrendo de medo de perder o seu. Gerentes, diretores e produtores escondidos atrás de planilhas e livros de auto-ajuda empresarial, que não arriscam, não criam, não vivem, enquanto as massas fogem de seus produtos e métodos de distribuição engessados e preguiçosos. Emburrados, fazem bico e nos chamam de criminosos porque assistimos nossas séries de TV pela internet.

Veja os DVDs de Princesas do Mar. Alguns podem achar que, onde tem DVD tem pirataria – mas é justamente o contrário! Os únicos países que pirateiam os episódios de Princesas do Mar são aqueles onde NÃO tem o DVD: Alemanha e Austrália. Na França, já estamos no sexto volume, encontrado facilmente em qualquer loja. A América Latina, o temor dos donos de copyright, tem o DVD há mais de 2 anos, vendido baratinho em bancas na Argentina e no México e até agora, não tem nem sinal de DVD pirata. Uma hora vai chegar? É provável, mas o original vai ganhar de lavada, seja em qualidade ou distribuição.

“A pirataria é sinal de sucesso”, diz o senso comum polianesco. Não exatamente. A pirataria é sinal de que alguém não está trabalhando tão bem quanto deveria. Alguns dos produtos piratas de Princesas do Mar chegaram ao mercado meses ou até ANOS DEPOIS de muitas fábricas terem se negado a produzí-los. A pirataria não é algo mágico que simplesmente brota nos semáforos da cidade em forma de um balão gigante do Barney, muito menos algo que acontece debaixo dos panos.

De um lado, temos o pirata: um cara que não é bem informado, não é um gênio com bola de cristal. Ele é mais lento, tem menos instrução, muito menos recursos e valha-me Deus, tem muito mal gosto. Mas ele simplesmente escuta o que o público quer, corre atrás e lança o produto. Do outro lado, temos o executivo que fica enfurnado numa sala fazendo powerpoint, tirando caquinha do nariz, esperando a próxima feira ou seminário da firma. Que perde oportunidades, engessa e, lentamente, mata a indústria por medo de mudar. A pirataria tira empregos? Graças a Deus!

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About Wildwing

Criador e Roteirista do projeto Cops Go!

Posted on 6 de Outubro de 2010, in Sem categoria. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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